Mercado de escritórios em São Paulo registra queda na vacância e avanço das locações corporativas

O mercado imobiliário corporativo de São Paulo iniciou 2026 com sinais consistentes de recuperação. A taxa de vacância dos escritórios corporativos na capital paulista caiu para 12,8% no primeiro trimestre do ano, reforçando o avanço da ocupação de edifícios comerciais e o aquecimento das locações corporativas.

De acordo com levantamento da Binswanger Brazil, o índice representa uma melhora relevante em relação aos últimos anos. Em 2025, a vacância encerrou em 13,8%, enquanto em 2024 o percentual chegou a 19,4%, refletindo os impactos deixados pela pandemia no mercado de escritórios em São Paulo.

Segundo Simone Santos, diretora-geral da consultoria, o movimento de absorção de áreas corporativas vem surpreendendo positivamente o setor imobiliário.

“A demanda por escritórios corporativos voltou a crescer de forma consistente nos últimos anos, especialmente em regiões estratégicas da cidade. O mercado vem demonstrando recuperação sólida e maior equilíbrio entre oferta e ocupação”, afirma.

Retorno ao presencial impulsiona mercado imobiliário corporativo

Durante o período mais crítico da pandemia, muitas empresas reduziram espaços físicos ou devolveram escritórios diante da adoção do home office e do modelo híbrido. A partir de 2022, o mercado iniciou uma retomada gradual, ainda marcada por cautela nas decisões de expansão.

Já entre 2024 e 2026, o cenário mudou significativamente. Empresas passaram a ampliar operações, ocupar múltiplos andares e buscar edifícios corporativos de alto padrão em regiões estratégicas de São Paulo.

Para Melissa Spinelli, diretora de Escritórios da Binswanger Brazil, o retorno ao ambiente presencial tem sido um dos principais motores da recuperação do setor.

“O aumento da presença física das equipes nas empresas impulsionou diretamente a procura por novos escritórios corporativos. Além disso, o avanço da atividade econômica também fortalece a demanda por espaços de qualidade”, destaca.

Faria Lima lidera valorização dos escritórios corporativos

As regiões mais valorizadas do mercado imobiliário corporativo seguem concentradas em polos tradicionais de negócios, como Faria Lima, Itaim Bibi, Avenida Paulista e Avenida Juscelino Kubitschek.

Nesses locais, a taxa de vacância permanece abaixo de 8%, indicando baixa disponibilidade de áreas para locação e forte demanda por escritórios de alto padrão.

Na Faria Lima, o valor médio de locação atingiu R$ 303 por metro quadrado, com ativos premium chegando a R$ 415/m². O movimento reforça a valorização dos imóveis corporativos e o fortalecimento do segmento de lajes corporativas em São Paulo.

Em contrapartida, regiões como Santo Amaro e Chácara Santo Antônio ainda apresentam vacância acima de 30%, refletindo maior oferta de imóveis disponíveis.

Uber e Shopee lideram grandes locações em São Paulo

Entre as principais negociações do trimestre, a Uber realizou a maior locação corporativa do período ao ocupar aproximadamente 12,6 mil metros quadrados no edifício JK Square.

Já a Shopee alugou cerca de 7 mil metros quadrados no edifício Birmann 32, um dos principais empreendimentos corporativos da capital paulista.

No total, o volume líquido de locações corporativas em São Paulo alcançou aproximadamente 75 mil metros quadrados no trimestre, considerando novas ocupações e devoluções de áreas.

Mercado de escritórios deve seguir aquecido até 2027

A projeção da Binswanger Brazil indica que a taxa de vacância dos escritórios corporativos deve permanecer abaixo de 15% até 2027, sustentando um cenário mais equilibrado entre proprietários e ocupantes.

Com menor oferta de espaços em regiões premium e aumento gradual da demanda, o mercado tende a manter o movimento de valorização dos imóveis corporativos e recuperação dos preços de locação nos próximos anos.

Leia a reportagem completa do Estadão sobre a recuperação do mercado de escritórios corporativos e o avanço da ocupação em São Paulo.